11/11/2010 | Fotoviagem-Novembro

Caral (Peru)- A civilização mais antiga da América.

A civilização mais antiga da América.

por Jorge Linhares

Foto: Divulgação

Caral (Peru)

  

 As escavações arqueológicas seguem no Valle de Supe, onde foi encontrada em 1994, a cidade de Caral, que é considerada pelos cientistas e historiadores como a descoberta mais importante da América. Caral esta situada no vilarejo de Supe, a 184 km quilômetros ao norte de Lima pela via Pan-americana. A Cidade Sagrada, que foi encontrada por acaso, pela cientista Ruth Shady Solis, hoje é uma referência para estudiosos do assunto.

 Cidade mais antiga da América, Caral foi constituída por uma das mais importantes civilizações do planeta, criada pelo trabalho de seus povoadores num território de configurações contrastadas. Os supes eram produtores de algodão e pescadores, que por suas riquezas e sabedoria construíram um império muito bem planejado e arquitetado.

  Bem antes - Muitos conhecem Cusco como capital do império Inca e Machu Picchu como uma cidadela dos últimos Incas, mas poucos sabem que a cidade de Caral foi edificada pelo primeiro Estado político que se formou no Peru, 4,4 mil anos antes que governassem os Incas. Carral representa a civilização mais antiga da América, desenvolvida simultaneamente com as da Mesopotâmia, Egito, Índia e China. Os habitantes supes no Peru, se adiantaram em pelo menos 1500 anos aos da Mesoamérica, e do outro foco civilizatório dos seis reconhecidos mundialmente, e em mais de 3000 anos da sociedade que edificou as reconhecidas cidades maias. 

 Sacerdotes -   Na área norte-central do Peru, o modelo de organização desenhado e implementado pelo Estado Supe, conduziu por vários séculos a ação dos indivíduos nos diferentes campos: econômico, social, político e religioso. E pela ausência de Exército e de guerras nesse período, a sociedade Supe era controlada pelos sacerdotes, que planejavam pelo menos uma festa anual, na qual eram feitos muitos sacrifícios aos deuses, inclusive humanos. Caral é o sítio mais  destacado de 18 identificados ao largo de 40 km do Vale bajo e médio de Supe. Cada um dos quais reúne edifícios públicos com característica de praça circular e com mais ou menos dois  metros de fundura. Dizem que nestes poços sacrificavam os animais e seres humanos numa verdadeira piscina de sangue.

 Muito ainda por descobrir - Das 18 cidadelas encontradas, apenas cinco foram desenterradas até agora. Caral não é a mais extensa, mas sim a que mostra um desenho arquitetônico planificado e uma forte inversão da força de trabalho dos supes. Tudo através da construção de prédios sacerdotais, das pirâmides e de um grandioso anfiteatro. Pela extensão do lugar e pela quantidade de trabalho investido, se faz evidente que eles tinham um ordenamento hierárquico e que havia uma organização social unificada no Vale. Milhões de pedras foram cortadas e transladadas da cidade para a construção dos edifícios públicos, que hoje são visitados por milhares de turistas do mundo inteiro.  Apesar de  transcorridos tantos anos desde a  construção da Cidade Sagrada de Caral, pode apreciar-se o magnífico estado de conservação de sua arquitetura na fachada da Pirâmide La Galeria. Os arqueólogos apresentaram-na  recentemente ao público. Trata-se de um edifício de cinco terrazas escalonadas, de 70 metros de largura por 19 de altura, ao que ascende por uma monumental escada central e mais escadas secundárias dispostas de maneira alternadas do lado sul. Destacam-se as pedras decoradas e estruturalmente cortadas para embelezar ainda mais o local de cerimonial.

 Salões - Em cima do edifício da Pirâmide La Galeria foram construídos os salões cerimoniais e uma importante Galeria subterrânea. Num dos recintos desse edifício foi encontrado o quipu mais antigo que se conhece no Peru - um conjunto de cordas e nós para registrar informações -, além de instrumentos musicais e dois conjuntos de 19 vértebras de baleias, utilizadas como bancos.

 Descoberta recente - Não obstante, a cidade de Caral deixou de funcionar no ano 1800 AC e foi esquecida no tempo, encoberta pela areia e pela poeira. Ficou escondida da civilização moderna por todo este largo período. Até que a arqueóloga Ruth Shady Solis passava pelo lugar em 1996 e ficou intrigada com as montanhas com formato de pirâmides, resolveu investigar e acertou em cheio: descobriu a terceira cidade mais importante da história. Com a ajuda do Exército Peruano, foram muitos meses, com muito cuidado desenterrando a civilização de Caral. Os objetos e artes encontrados no local estão no Museu de Lima. 

 

 

 

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