04/11/2010 | Viva Voz

“Temos que parar de esperar que alguém nos diga o que fazer"

“Quem pressiona o outro vai ser deixado de lado, porque já temos muito mais cobranças do que podemos suportar”

por Marcos Linhares

Foto: Divulgação

Roberto Shinyashiki afirma que não são os problemas que nos impedem de amar, e sim nossos medos

Roberto Shinyashiki é médico psiquiatra, pós-graduado em Administração de Empresas (MBA - USP), conferencista de renome nacional e internacional. Paulista, Shinyashiki (nasceu em Santos) é casado, tem cinco filhos, toca guitarra no bar Dinossauros (SP) uma vez por mês e adora passear com seus filhos. Tem atuado em grandes organizações alertando para as mudanças de cenários, mostrando ameaças, sugerindo caminhos e, principalmente, lembrando que empresas campeãs são formadas por seres humanos campeões. A formação dele é bastante ampla, tendo realizado vários cursos de especialização nos EUA, na Europa e no Japão. Sua dedicação ao desenvolvimento de projetos sociais rendeu-lhe o prêmio "Hadge Capers", da Associação Internacional de Análise Transacional, como melhor projeto de solidariedade mundial. É empresário de sucesso, sendo fundador e estando à frente das empresas Instituto Gente, Editora Gente e Material de Campeões. Autor de vários livros, entre eles, os best-sellers "Os Donos do Futuro", "Você, A Alma do Negócio", "A Revolução dos Campeões", "O Sucesso é Ser Feliz", "Sem Medo de Vencer" e "A Carícia Essencial" entre outros, que venderam quase seis de exemplares somente no Brasil. Em 2003, foi reconhecido como o "Melhor Palestrante do Ano", recebendo o prêmio Top of Mind. Em entrevista, Shyniashiki divide conosco sua experiência sobre a magia de amar e tomar as rédeas de nossas próprias vidas.

Mais Capital - Apesar da vida estressante e dos novos contornos das relações, amar pode dar certo?

Roberto Shinyashiki - Às vezes, escuto pessoas reclamando da forma de amar de hoje, e até consideram algo doloroso e frustrante. Amar não é fácil, é preciso ter coragem e criatividade para valorizar o amor e construir maneiras diferentes de estar com alguém. O amor continua o mesmo, mas a correria da nossa vida mudou, e para amar são necessários dedicação e paciência. O amor não está pronto. A compreensão passou a ser uma virtude fundamental para quem quer amar, quem pressiona o outro vai ser deixado de lado, porque já temos muito mais cobranças do que podemos suportar. A sedução passou a ser importantíssima, pois convida o outro a estar junto sem cobrança - como se estar junto fosse um dever a cumprir. A paixão, o romantismo e o sexo continuam importantes, mas precisamos desenvolver a amizade no amor, uma relação sem companheirismo tornou-se insustentável. O problema não está no amor, pois o ser humano não consegue ser feliz sozinho. Desistir de amar é deixar de lado uma parte fundamental da própria vida. É importante acreditar no amor e respeitar a vocação para ser amado. Ou seja, amar pode dar certo.

Mais Capital - A chave de muitos problemas está atrelada à questão da auto-estima?

Roberto Shinyashiki - Muitas pessoas reclamam de seu destino por não terem sido contempladas com um grande e definitivo amor, um trabalho com oportunidades de crescimento e um salário espetacular, mas a realidade é que um grande amor, um bom trabalho, amizades verdadeiras, são fruto de sua maneira de existir. Tudo só pode ser desenvolvido com disciplina, humildade e coragem. É estar atualizado com nossos próprios desejos e sonhos, e com a maneira mais adequada e especial de concretizá-los. 

Mais Capital - A falta de segurança dos dias atuais em todos os aspectos (segurança pessoal, no trânsito, nas relações familiares e nos relacionamentos amorosos) tem "bloqueado" o poder e o dever amar?


Roberto Shinyashiki - O inferno está dentro de cada um de nós, e somos nós mesmos que o criamos: uma solidão que nós levamos a sério. Não são os problemas que nos impedem de amar, e sim nossos medos. E o mais importante é que as pessoas estão percebendo que a sua verdade é única e somente serve para si. Verdades que têm de ser aprendidas, mas que não podem ser ensinadas. Aprende-se, à medida que se permita viver com humildade de um aprendiz. Tanto sofrimento inútil seria evitado se lembrássemos que somos aprendizes eternos da misteriosa arte de amar, e que a compreensão e a paciência são sublimes maneiras de dizer algo. Amar é deixar de lado a mania de viver procurando teoria e explicações para justificar as coisas que não estão funcionando na relação e procurar encontrar as soluções para as dificuldades. Amar é jamais optar por um determinado caminho, simplesmente por não termos medo de experimentar os outros.

Mais Capital - Amar é um poder ou um dever?

Roberto Shinyashiki - Afirma uma antiga crença popular que Deus dá às pessoas as coisas em que elas crêem. Então, se alguém crê no amor, conseguirá o amor e, se acreditar na solidão, acabará só. Partindo do princípio que o ser humano completa sua felicidade apenas quando encontra alguém para amar, o AMOR é a nossa verdadeira vocação. Só você tem o poder de amar e se deixar ser amado. O primeiro passo é identificar as crenças que atrapalham a sua vida e perceber o que você está fazendo para alimentá-las. Num segundo momento, agir com base na realidade, analisando quais são as opções concretas existentes para os dois a cada encontro. O terceiro passo é desenvolver uma atitude de autoconfiança, de confiança no ser amado e na vida. Enfim, exercitar as crenças positivas, acreditar que se pode viver um grande amor, que também o próximo deseja encontrar uma forma de ser feliz e que, se os dois quiserem, amar pode dar certo.

Mais Capital - O amor, o compromisso e, conseqüentemente, o casamento, ao seu ver, estão fora de moda?

Roberto Shinyashiki - Nos últimos tempos, os homens, depois de passada uma certa euforia pela libertação sexual da mulher, descobriram que esse movimento, além de trazer mais alguns momentos de prazer, exigia também uma nova postura de ambos diante da vida. O que vemos hoje é uma mudança de comportamento quanto ao casamento. Não é mais aquele de papel passado, voltou a estar na moda. As pessoas querem algo mais que alguns momentos gostosos, embora, mais do que nunca, não aceitem viver sem prazer. O grande aprendizado é saber estar com quem se ama. Saber reconhecer e mostrar ao outro, mesmo que por poucos minutos, o quanto ele é importante. Saber deixar o jornal de lado, abandonar a televisão e outras coisas, para simplesmente ficar, de verdade, ao lado de quem se ama. Isso é o que realmente vai importar, quando você for avaliar a sua vida. 


Mais Capital  -- Casos de jovens envolvidos em ações de delinqüência explícita estão se popularizando. O que falta: Amor, atenção, tempo com os entes queridos?

Roberto Shinyashiki - Tudo isso é reflexo da busca de um novo modelo que dê às pessoas condições de serem felizes no amor e de vencer a insegurança que sentem em amar. As pessoas, muitas vezes, não se preocupam com a ecologia humana, em manter o seu coração limpo e as relações com pessoas queridas. Falamos em limpar os rios, o ar e tantas outras coisas importantes, mas não cuidamos de manter limpo os nossos sentimentos e muito menos as nossas relações. Nossos atos de atenção, retratos de
nossos medos... O medo de perder o ser amado e o medo de ficar sozinho. Os primeiros vêm do transbordamento do nosso coração, de nossa beleza interior, enquanto os outros espelham a nossa miséria afetiva - surgem de exigência, nem sempre explícitas, que acabam por se transformar em eternas reclamações.

Mais Capital  -- Para finalizar: As relações de trabalho também têm mudado. Por que "Você é a alma do negócio?" 

Roberto Shinyashiki - As relações de trabalho, e mais do que isso, as relações com o trabalho estão sofrendo transformações. O mundo está repleto de oportunidades  nossa à nossa espera. Seja para um empresário, vendedor, operário, estagiário, ou um profissional liberal, tem que ter consciência clara de que é o dono desse negócio. O comprometimento tem que ser total e a capacidade de realizar os projetos tem de superar todas as expectativas. Além de conhecer muito bem o trabalho, de continuar estudando e aperfeiçoando-se, é preciso ter a convicção de que possuímos um negócio nas mãos, e saber administrá-lo com amor e dedicação é a chave do sucesso. Ou seja, cada um é a alma do negócio. Temos que parar de esperar que alguém nos diga o que fazer. Ser humilde e escutar as pessoas é muito importante, mas é preciso ter consciência de que a decisão de nossa vida é somente nossa.

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